domingo, 26 de fevereiro de 2012

Helleborus.

Helleborus niger



























Em floração no jardim botânico de Lisboa,  Helleborus niger que é considerado o mais difícil de cultivar. No Jardim botânico tive que ter muita atenção para o encontrar pois encontra-se debaixo da folhagem densa do Helleborus foetidus, que se dá muito bem no jardim e tende a multiplicar-se rapidamente por semente. Foi por isso com alegria que o descobri em flor há poucos dias, mas também com alguma indignação, pois está completamente descuidado. Uma senhora de bata branca (supostamente alguém importante no jardim) desfilava conhecimento pelos jardineiros auxiliares, mas espantou-se quando me viu de volta do heleborus, e disse " Esta aqui algo a aparecer, o que será?... alguma semente que veio de outro lado". Esta completa falta de conhecimento espanta-me.

H. × hybridus




























Os mais fáceis de cultivar são sempre os híbridos de heleborus. Na foto acima o Helleborus x hibridus
cultivado em Portugal na zona de Penacova, por Arthur um senhor Inglês que trouxe as sementes de Inglaterra quando veio morar para cá. Arthur tem agora canteiros cheios de varias variedades de híbridos de heleborus. Uma das coisas que me explicou por mail foi que plantou todos os seus hebeborus numa zona de sombra, e tenta manter sempre o solo húmido, mas nunca encharcado, pois necessitam de boa drenagem. No inicio da floração todas as folhas antigas têm de ser cortadas (nas variedades acaulis), só assim se estimula o crescimento da planta. Podem ver mais dos seus heleborus nas seguintes streams de fotos:


De qualquer modo os heleborus não nativos e as variedades de jardim serão sempre difícil de cultivar em zonas de Portugal com clima Hardiness Zone (zonamento de rusticidade) 10, que se estendem pela faixa costeira ocidental de Lisboa ate ao Algarve, onde os Invernos são muito amenos. Todo o interior do país (zonas de clima 8 e 9), não devem apresentar problemas de cultivo. Os heleborus necessitam de frio e geada para iniciar o seu ciclo de floração. Tenho que adquirir um  Helleborus x hibridus  pois são das minhas plantas preferidas! Enquanto não tiverem os vossos próprios  heleborus podem sempre ver o próximo vídeo com Alys Fowler:

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mais flores...
























Mais flores do Jardim Botânico da Ajuda, fotos tiradas no fim-de-semana passado. Em cima, mais um narciso, dizia Narcissus pseudonarcissus, mas para mim parece mesmo o "Ice Folies", já que a trombeta era muito curta.
 










Scilla peruviana, acima, é a cila Portuguesa e não do Peru. Estas plantas chegaram à Suécia em 1753 num barco espanhol chamado Peru, daí que Lineu lhe tenha dado o nome daquele país sul americano. É no entanto, uma planta nacional e cresce por cá em abundância no Algarve, como se pode ver no blog "Pedras, Plantas e Companhia". A Scilla peruviana é muito apreciada em Inglaterra, por exemplo, embora entre nós goze de pouca ou nenhuma popularidade, não somos um país que goste do que é nosso!























Este é Verbascum thapsus, especie endemica europeia, embora aqui ainda não esteja em flor, a sua roseta basal é só por si motivo de interesse por ser enorme e com folhas de aspecto aveludado. Este Verbasco é  uma planta herbácea bienal que alcança os 2 m de altura, com caule erecto ramificado e lanoso. A roseta basal aparece no primeiro ano e só durante o segundo ano cresce o caule floral de 1 a 2 m de altura.



























Na Foto acima, Loropetalum chinense originário da China e do Japão. Cresce bem em solos acídicos e húmidos mas com boa drenagem, tolerando condições de secura uma vez bem estabelecido. Prefere sombra parcial.

http://www.floridata.com/ref/l/loro_chi.cfm

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Jardineiros Famosos: Arabella Lennox-Boyd


Gresgarth Hall


Arabella Lennox-Boyd nasceu em Roma em 1948, mas acabou por se estabelecer em Inglaterra, onde realizou o curso de Arquitectura Paisagista na Thames Polytechnic, parte da Universidade de Greenwich.

Lady Lennox-Boyd ganhou seis medalhas de ouro no Chelsea Flower Show (1990, 1993, 1995, 1998 2000 e 2008) e o Best in Show Award em 1998. Durante uma carreira de 30 anos, desenhou jardins em todo o mundo, desde jardins de cidades pequenas a grandes paisagens históricas. A sua lista de clientes inclui Sting e a Rainha Paola da Bélgica.

O seu jardim pessoal em Gresgarth Hall está entre os maiores do Noroeste de Inglaterra e foi amplamente redesenhado e plantado pelos Lennox-Boyds nos últimos 20 anos. Ocupa uma área que se estende por ambas as margens do rio Beck Artle, um pequeno afluente do Lune. O jardim inclui canteiros de herbáceas, terraços, uma colecção de rosas, um jardim da água, o caminho Lilás, um pomar, o jardim de cozinha ornamental, estufas e uma colecção de Rododendros. No total, existem vários milhares de plantas e árvores. Aqui fica um pouco do que pode ser visto por lá (desculpem, mas este foi o melhor vídeo que consegui):




http://www.telegraph.co.uk/culture/3666715/The-world-of-Arabella-Lennox-Boyd.html
http://www.arabellalennoxboyd.com/home/
http://www.bbc.co.uk/lancashire/content/image_galleries/chelsea_flower_show_2008_gallery.shtml?2
http://www.gardens-guide.com/gardenpages/_0104.htm

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Jacinto de varanda.



A minha colega de casa é alemã e tal como se faz na Alemanha, nesta altura do ano ela decidiu plantar alguns jacinto-de-jardim na varanda. Há um ano atrás eu fiz o mesmo quando vivia em Colónia, contagiado talvez pelo entusiasmo alemão de plantar bolbos que florescem na primavera.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Jardim Lurie.



O Lurie Garden fica em Chicago e ao contrario do nosso jardim botânico, este é um jardim com flores!  Com cerca 10.000 m2, está localizado no extremo sul do já famoso Millennium Park tendo sido desenhado por Piet Oudolf, de quem já falei neste mesmo blog, abriu ao publico em 16 de Julho de 2004. Piet Oudolf é um dos mentores do movimento New Wave Planting, que implementa uma combinação naturalista e usa plantas nunca antes vistas em Jardins. Desta forma para o jardim Lurie, Piet Oudolf escolheu uma selecção de plantas perenes, bolbos, gramíneas, arbustos e árvores numa combinação de texturas e cores que mantêm o interesse ao longo de todas as estações do ano. A natureza é o componente de destaque no Lurie Garden!
O jardim custou  13,2 milhões de dólares e recebeu o nome de Ann Lurie, que doou 10 milhões para manutenção e conservação do jardim.
O jardim é composto por duas placas: uma com árvores que irá proporcionar cobertura e sombra, outra, que não inclui árvores, é composta por plantas perenes que florescem no calor do sol. Aqui fica o vídeo com imagens do jardim e com explicação do próprio Piet Oudolf:




http://www.luriegarden.org/plantlife/overview

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Flores de Fevereiro.




























O Jardim Botânico de Lisboa não é um jardim que se visite por causa das flores, mas antes pelos expetaculares exemplares de árvores ou pela diversidade de plantas vindas de todo o mundo, flores não é algo que se veja muito pelo jardim, mas de vez em quando lá encontramos uma ou outra: em Fevereiro temos os narcisos, os Jacintos e também o heleborus tal como demonstram as fotos. 

As espécies autóctones estão largamente em minoria e mal representadas e poucas são as espécies de clima temperado em floração, já era tempo de dar mais atenção às herbáceas, por exemplo. As espécies exóticas podem coexistir perfeitamente com as locais num jardim botânico, pena que em Lisboa ainda não se tenha percebido isso.

Plantas como a Primula vulgaris podiam invadir o jardim nesta altura do ano. Trata-se de uma planta que já quase não existe nos nossos jardins, o jardim botânico tinha por obrigação a divulgar e proteger em vez disso, temos apenas um pequeno grupo de primulas, que ainda por cima parece estar mal tratada.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Fevereiro pelo campo.

 As geadas das ultimas semanas fizeram grandes estragos no Jardim da minha mãe, até as aquilegias que se estavam a aguentar bem, nos últimos dias apareceram todas queimadas, espero que voltem a rebentar. Adoro as aquilegias, algumas tem um azul difícil de encontrar noutras plantas.

As minhas Primula vulgaris é que parecem não se estar a importar com as geadas, estão todas a rebentar indiferentes ao frio. São as minhas plantas preferidas, por representarem a Primavera mas também por serem já tão raras nos nossos jardins. No fundo aparecem Iris foetidissima também endémico da nossa flora, no Verão dão umas flores roxas e depois um receptáculo de sementes vermelhas que se mantém até ao Outono.

 Encontrei este lagarto a aquecer-se ao sol da tarde, ainda um pouco atordoado, parece estar agora a terminar a sua hibernação. Na foto de baixo os meus gansos debicam a erva verde que resta, apesar de não chover há tanto tempo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Jardineiros Famosos: Alys Fowler.

Embora só um pouco mais velha que eu próprio, Alys Fowler é já uma figura bastante popular no Reino Unido. Em 2005, Fowler começou a trabalhar para a BBC no popular programa Gardeners' World como pesquisador de horticultura, mas em 2006, torna-se jardineiro-chefe do jardim BBC em Berryfields e aparece ocasionalmente no programa Gardeners' World ao vivo. Já em 2007 publica o seu primeiro livro The Thrifty Gardener: How to Create a Stylish Garden for Next to Nothing, mas só em 2008 Alys Fowler tornou-se apresentadora regular em Gardeners' World e foi aí que a sua popularidade surgiu.

A sua serie para a BBC 2, The Edible Garden  vai para o ar em Abril de 2010. Neste programa, Fowler explora as possibilidades e limitações das comunidades auto-sustentáveis em ambiente urbano. Já com 3 livros publicados, Fowler continua a publicar prolíficamente em jornais e revistas, incluindo The Guardian, Gardeners' World, Garden Illustrated, Country Living e The Daily Mail.

Sempre a achei muito parecida com a minha amiga Vera C. ambas muito ruivas e parece que ambas adoram galinhas! Por isso dedico este post à minha amiga Vera, somos amigos desde os tempos de escola!



http://www.bbc.co.uk/blogs/gardenersworld/alys_fowler/
http://www.guardian.co.uk/profile/alys-fowler

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Magnolia.

De entre todas as Magnolias, as minhas preferidas são as de folha caduca que florescem no inicio da Primavera, como esta das fotos. Penso que seja Magnolia liliiflora, foi fotografada há dias no jardim Glubenkian. Na Alemanha encontra-se uma em cada esquina, pena que cá não haja mais pois formam um espetáculo de cor impresionante!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Primavera na Ajuda.

O Jardim Botânico da Ajuda apresenta belos exemplares e vale a pena uma visita em qualquer altura do ano, mas a primavera é sempre diferente e é nesta estação que se encontram as minhas plantas preferidas em floração. As espécies europeias e autóctones estão entre as que prefiro destacar neste flog. Quase todas foram negligenciadas nos nossos jardins botânicos em favor das exóticas e vistosas espécies tropicais. Esse facto está a mudar em muitos países, mas não ainda em Portugal. Na foto acima, Ranunculus ficaria, espécie da nossa flora que desapareceu há muito dos nossos jardins.

Conhecido como Celidonia Menor ou Ficária, é uma planta que cresce em zonas húmidas e com sombra, margens de rios e bosques ou prados frescos. Buttercup (ou copo-de-manteiga) é o nome geralmente aplicado a estes ranúnculos em Inglaterra, país onde é extremamente popular e deixa-los crescer em prados de jardim é uma tendência cada vez maior, ao contrario de Portugal onde é tratado muitas vezes como erva daninha.


 Os narcisos cresceram lindíssimos e abundantes este ano, na Foto de cima, Narcisus sp. de cor amarelo com trombeta alaranjada. Abaixo um Narcissus tazetta com os seus pedúnculos de varias flores e com um perfume intenso muito diferente de qualquer outra espécie de narciso.

 Narcissus pseudonarcissus na foto abaixo, é também um endemismo Ibérico e apresenta uma flor de cor amarelo pálido, que no dia em que tirei as fotos ainda estava por abrir.