quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O Inverno em Sintra

Câmara Municipal
Palácio Nacional da Vila, século XV
Araucarias 
Vista da Vila
Villa Sassetti
Camellia
O Inverno em Sintra será sempre ameno, a pesar de algumas quedas de neve históricas, o que temos é um clima super temperado com Invernos amenos e Verões frescos. A influencia marítima é muito forte. Fetos e Camélias, fazem as delicias do clima atlântico de Sintra e nesta altura do ano são focos de grande interesse pela serra. Ficam algumas fotos das camélias de Villa Sasetti.

Vila Sasetti, um dos parques de Sintra, foi recentemente restaurado num trabalho bastante bom a nível de preservação arquitectónica, mas que deixou muito a desejar do ponto de vista da plantação. A escolha de plantas revelou-se muito fraca, facto que até poderia ser compreendido do ponto de vista monetário, mas que mesmo assim foi pouco criteriosa: as plantas escolhidas são sobretudo tropicais que exigem manutenção, são pouco resistentes e sequiosas,  alem de que parecem deslocadas numa paisagem como Sintra. Embora a paisagem de Sintra tenha sido feita à custa sobretudo de espécies exóticas, exige-se algum decoro na escolha de plantas. Neste caso a escolha foi pobre, pouco adequada e pouco exigente. Sugere-se aqui a procura de boas vivazes resistentes e de plantas autóctones com interesse ornamental, para a melhoria da plantação em causa. A lista de vivazes adequadas à situação de Sintra é longa e  diversificada. Deve-se sobretudo tentar elevar um pouco a escolha de plantas e exigir-se um refinamento da plantação. Estamos a falar de Sintra, merece que se pense duas vezes naquilo que se vai plantar.

Fotos do meu amigo Carlos Neves

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Fevereiro no Jardim Gulbenkian

Philadelphus, Viburnum, Ruscus e Acanthus
Magnolia x soulangeana
Lago dos nenúfares / Crocus sp.
Camellia japonica
Camellia / Bellis perennis

Não me canso de dizer que o Jardim da Fundação Gulbenkian é o melhor jardim de Lisboa. Por mais que se visite, por mais que se conheça como a palma da mão, o decorrer das estações revela sempre algo novo e é uma constante surpresa cada visita. Deste vez não foi excepção, havia uma promessa de Primavera no ar, as camélias e a Magnólia estão em flor e aqui e ali surgem pequenas plantas em floração, como as Crocus e Bellis. Há uma sensação de clausura e afastamento no jardim, embora a movimentada Avenida de Berna esteja logo ali, há uma vontade de seguir os caminhos, uma sensação de descoberta e mistério. Qualquer jardim que transmita este tipo de sensações será sempre um jardim bem desenhado, e um jardim onde não nos cansamos de voltar. É exactamente isso que sinto cada vez que regresso à Gulbenkian. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Início de Fevereiro no Jardim

Festuca, Salvia officinalis "Purpurascens" Carex e Narcissus 
Carex comans, Festuca, Armeria, Leucojum aestivum 
Narcissusn tazetta, Sisyrinchium, Echinops, Nigella
Sisyrinchium, Narcissus, Echinops,  Stachys e Melissa officinalis
Helleborus x hybridus "Pretty Ellen"
Helleborus x hybridus "Pretty Ellen"
Helleborus, Viola,  Geranium, Thalictrum e Iris foetidissima 
Helleborus x Ballardiae "Merlin", Primula vulgaris
Viola odorata e Primula vulgaris
Primula vulgaris
Vivazes e exemplos de texturas no jardim

No início de Fevereiro começa-se a desenhar a Primavera no meu jardim, aparecem as primeiras prímulas, os Helleborus estão em flor e os narcisos quase a começar...O jardim claramente começa a acordar e inicia-se mais um ciclo vegetativo. Uma das estrelas neste final de Inverno nem sequer são as flores, mas antes as folhagens e todo o desenho textural que surge da justaposição de plantas tão diversas como Euphorbia characias ou Cynara cardunculus. É deste intrincado de repetições de plantas com portes diferentes que pode surgir uma plantação com interesse nos meses menos produtivos, quando o que temos é apenas a parte vegetativa das plantas e poucas flores disponíveis. 

Volto a destacar neste conjunto a Primula vulgaris (syn P. acaulis). As prímulas requerem apenas um solo relativamente fértil e alguma humidade. Devem ser plantadas numa zona de sombra, voltada a nascente ou mesmo a norte e dão-se especialmente bem debaixo da copa de árvores de folha caduca. É uma espécie autóctone de grande beleza que está a desaparecer rapidamente do Centro e Sul de Portugal. Mas, podemos-lhe dar uma ajuda plantando no jardim algumas das belas Primulas vulgaris e desta forma contribuir para a recuperação da espécie no nosso país. 

http://www.flora-on.pt/index.php#/1primula

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Início de Fevereiro na Ajuda

Vista do talhão superior com Erythrina coralloides
Limoeiros
Lonicera floribunda 
 Narcissus tazzeta
Helleborus x hybridus 
Helleborus x hybridus
Flora da Macaronésia  
Scilla maderensis
Saponaria officinalis , família Caryophyllaceae
Ranunculus ficaria
Bonito, mas destrutivo para o jardim
Talhão de baixo

Todos os anos o Jardim botanico da Ajuda passa pelo Inverno de forma suave e ligeira, este ano não foi excepção. O Jardim está situado numa colina soalheira de Lisboa, voltado ao mar e ao rio e quase todos os anos vive em Fevereiro uma Primavera antecipada. Por isso, para quem quiser ver algumas flores de Primavera deverá rumar à Ajuda por estes dias onde pode apreciar Helleborus, Ranunculus, Pulsatilla, Muscari e Narcissus. Este ultimo género é por excelência a flor de Primavera em Portugal e o JBA é o único jardim botânico de Lisboa (e Lisboa tem três jardins botânicos), onde podemos ver uma pequena colecção de Narcissus endémicos da Península mas, ainda assim de origem algo duvidosa: penso que três das variedades presentes estão mal identificadas. Acho vergonhoso que num país com tantas espécies endémicas de narciso, em que muitas delas serviram para hibridação de algumas das variedades mais famosas a nível mundial, se dê tão pouca atenção a este género botânico.