quinta-feira, 28 de julho de 2016

Sissinghurst: O Jardim Branco

Vista do centro do jardim branco
A "sala" mais famosa dos jardins de Sissinghurst é o Jardim Branco. Foi o ultimo jardim construído no tempo de Vita e já foi reproduzido inúmeras vezes no mundo inteiro. Este jardim é talvez o que causou mais impacto de todos os que foram criados por Vita Sackville-West. 

É basicamente uma secção rectangular com corte formal de passeios em tijolo inglês e com margens de buxo baixo em toparia. O centro é ocupado por uma pérgola coberta pela roseira Rosa mulliganii. O resto da estrutura dos canteiros é preenchido por um intrincado conjunto de vivazes de floração branca, conseguido-se magnificas justaposições e texturas de grande interesse.  

Stachys lanata, Eryngium / Phlox paniculata "David", Papaver rhoeas 'Bridal White'
Onopordum acanthium
Torre / Cosmos 'Purity' e Antirrhinum /Rosa 'Princess of Nassau'
Eryngium 'Miss Wilmott's Ghost',  Achillea , Lillium regale

Muitas das plantas escolhidas são bem comuns mas, todas numa versão branca, tantas vezes esquecida pelos jardineiros. Há que realçar que o jardim não é de um branco puro: temos variações de branco desde pérola ao rosado, na verdade trata-se de um jardim a três cores: o cinza, o verde e claro, o branco. Folhagens cinza prateado ligam os canteiros dando unidade ao jardim e são pontuadas com maciços de flores brancas das mais variadas formas. 


Algumas das plantas em destaque no jardim branco de Sissinghurt: Onopordum acanthium, Eryngium 'Miss Wilmott's Ghost', Lilium regale, Daucus carota, Antirrhinum majus, Cosmos 'Purity', Lychnis coronaria 'Alba', Veronicastrum virginicum 'Alba' e Rosa 'Iceberg'.
                                            Continua...

domingo, 24 de julho de 2016

Jardim do Castelo de Sissinghurst

Recentemente tive a oportunidade de visitar um dos jardins mais icónicos do mundo, Sissinghurst. Talvez o jardim que desejava há mais tempo visitar. Sissinghurst é na realidade um dos jardins ingleses mais celebrado no mundo inteiro. Contudo, as suas origens são algo obscuras: de quinta de produção de porcos a casa renascentista, de prisão militar a asilo para desfavorecidos. Um começo muito longe do pináculo da cultura de jardins em que se tornou Sissinghurst. Na verdade, a curva em direcção ao mundo da jardinagem começou a ser traçada apenas em 1932, quando a propriedade foi comprada por Vita Sackville-West e Harold Nicolson.

Plantas em destaque no dia da minha visita
A  Torre de Sissinghurst e uma das salas usadas por  Vita para escrever.
Rosa "Gloire de Dijon"
O jardim foi edificado à volta do que restou dos edifícios de século XVI, e desde o início, que tanto Vita como Harold tentaram um compromisso entre o espaço físico existente e o novo jardim que surgia. 

Uma da principais construções originais é a bela torre do século XVI. Subir os seus 78 degraus leva-nos até ao topo, onde a vista é simplesmente de tirar o fôlego. Quem sobe, passa pelo gabinete de Vita onde a autora se dedicava à escrita. A sensação de contacto com o passado é avassaladora: o cheiro da madeira antiga, os livros e a maquina de escrever, a decoração com motivos mouriscos e os instrumentos de jardinagem usados por Vita, marcam presença um pouco por todo o espaço. São acompanhados por vezes, por belas jarras de flores que podiam ter sido acabadas de colher pela própria autora. Todo o espaço parece ainda viver o tempo Vita Sacklille-West. 

Vista da torrre para campos a Este
Vista da Torre para Norte
O Jardim em Sissinghurst e as plantas utilizadas foram fortemente inspirados pelo trabalho de Gertrude Jekyll, bem como pelo Jardim de Hidecote Manor, desenhado por Lawrence Johnston.

O plano do jardim inclui uma série de "salas", espaços confinados que se tornam independentes pela existência de uma forte estrutura de teixo em topiária ou mesmo por muros de tijolo típico inglês. Cada uma destas "salas" apresenta características específicas de cor ou tema, como é o caso do jardim de ervas aromáticas ou o jardim branco. 

Lythrum, Liatris, Platycodon, Allium sphaeracephalum, / Cynara, Lythrum, Geranium psilostenom
A estrutura formal é da autoria de Harold que tinha formação em arquitectura, tendo Vita sido preponderante, sobretudo na selecção de vivazes e nos respectivos esquemas de combinações. As salas vão-se sucedendo umas às outras, integrando os edifícios do castelo e o jardim formal de teixo dá lugar a exuberantes combinações de vivazes, muitas vezes com carácter mais naturalista, para depois novamente surgir o jardim formal, seja sob a forma de um "redondel" em topiária ou do famoso passeio de Tílias.     

Jykell disse que purpura devia ser usado com "extrema precaução" mas, Vita fez exactamente o contrario, passou a usar grandes conjuntos de purpura nas suas diferentes variações. Hoje em dia, pode ainda ser visto em Sissinghurst, a sua famosa bordadura de cor purpura. Mas, não só purpura, cores quentes também...a paleta de cores foi diversificada, novas plantas foram usadas pela primeira vez.   

Algumas das plantas em destaque aquando da minha visita: Achillea "Gold Plate", Erygium bourgatii, Geranium "Plenum caerulleum", Knautia macedonica e Allium tanguticum 'Summer beauty'.

Sala paralela ao jardim-branco com Astrantia sp
O "redondel" 
Magnifico efeito prado com Centaurea cyanus
Pomar e prados circundantes 
O jardim termina num belo pomar cheio de Malus e roseiras de liana crescendo sobre as árvores. Ao fundo um lago. É nesta área que o jardim se associa à produção agrícola e se integra na casa de campo, que na verdade, Sissinghurst sempre foi e ainda é. 

Felizmente, mais de meio século depois de sua morte, o efeito inebriante da visão de Vita sobre a jardinagem, embora alterado e modificado por aqueles que se seguiram, mantém-se e continua bem vivo, basta visitar Sissinghurst... 

Depois da morte de Vita em 1962, Harold decidiu, que o seu amado Sissinghurst devia ser dado aos cuidados da comissão de Jardins da National Trust, da qual Vita fora um dos membros fundadores. A partir de 1967 o jardim abre ao publico desta vez já sob a alçada da National trust, que desde então é responsável pela sua manutenção. 

  Continua...

Casas de secagem do Lúpulo 

http://www.telegraph.co.uk/gardening/9346537/Vita-Sackville-West-her-gardening-legacy.html
http://www.nationaltrust.org.uk/sissinghurst-castle/features/the-history-of-sissinghurst-castle
http://www.spectator.co.uk/2014/03/vita-sackville-wests-sissinghurst-by-vita-sackville-west-and-sarah-raven-review/

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Um jardim que é um prado...

Blondin Park
Lupinus poyphyllus
vista do parque
Lupinus polyphyllus
Vista da zona húmida com Dipsacus fullonum 
Libélula de espécie que não consegui identificar, alguém conhece?

Echium sp.
Verbascum thapsus
Rosa "Félicité-Perpétue"
Rosa "Félecité-Perpétue"

Blondin Park é um parque público de 8,5 hectare em Boston Manor, muito perto da zona onde estou a morar em Londres. É propriedade do Conselho de Ealing e gerido pela Câmara , juntamente com os "Amigos de Blondin Park". A reserva e jardim tal como existem hoje em dia foi criado em 1997. 

O parque possui uma variedade de habitats, incluindo um prado de flores selvagens e uma lagoa, onde várias plantas de zonas húmidas foram introduzidas. O resultado é um jardim "selvagem" sobretudo com plantas autóctones mas, também variedades de jardim, vivendo lado a lado em harmonia.   Uma das coisas mais interessantes são algumas roseiras de lianas crescendo naturalmente sobre as árvores.