terça-feira, 26 de abril de 2016

Abril no meu jardim

Vista do jardim depois da chuva
Abril no meu jardim este ano foi marcado por grandes chuvadas, dando completamente sentido ao famoso ditado "Em Abril, águas mil". O mês foi longo, muita coisa aconteceu em termos de florações, e as fotos que consegui tirar não fazem jus a toda a beleza que este mês trouxe. As florações foram só a cereja no topo de um bolo recheado de exuberantes folhagens, formando um conjunto textural de grande interesse. Penso mesmo que este Abril foi especial para as texturas formadas pelas folhas, porque tivemos uma longa estação chuvosa que se prolongou do Inverno para a Primavera. O crescimento vegetativo foi intenso e rico, isso traduziu-se num acentuar das características texturais das folhas e numa definição do hábito das diferentes plantas. O planeamento dos canteiros tendo como base as justaposições das plantas foi assim altamente compensador, tive a prova mais uma vez este Abril que o meu esquema resultou num design com interesse. Vamos então dar uma volta pelo jardim:

Festuca, Salvia, Carex e Calendula. 
Geranium, Iris, Spiraea Carex e Hemerocallis
Alguns efeitos texturais no jardim
Cynara cardunculus, Iris hollandica, Nigella dasmacena
Caminho central depois da chuva com Centranthus ruber
Tulipa, Muscari e Crocus
Tulipa "Van Eijk" e Tulipa "Purple prince"
Tulipa"Van Eijk" e Geranium
Promenor de Fritilaria uva-lupis
Fritilaria uva-lupis e Muscari armenicum
Fritilaria uva-lupis
Scilla peruviana e Tulipa variedades "Darwin", as mesmas ao fim de 5 anos
Tulipa "Darwin", voltam todos os anos sem cuidados extra
Polygonatum odoratum
Vista central do jardim  / Geranium "Orion" / Geranium macrorrhizum
Geranium macrorrhizum 
Anemone blanda e Muscari/ Crocus / Primula, Muscari e Viola
Caminho central
Scilla peruviana
Geranium, Aquilegia, Achillea, Salvia pratensis, Hemerocalis e Iris 
Geranium "Orion"
Iris hollandica em primeiro plano
Vista geral do jardim sobre os canteiros de vivazes
Cynara, Stachys, Aquilegia e Nigella
Nassella tenuissima,Euphorbia, Stachys e Nigella
Tulipa greigii, segundo ano de floração.
Iris hollandica, Stachys, Nigella e Hemerocallis
Euphorbia, Cynara cardunculus e Verbascum bombyciferum
Cynara cardunculus
Primeira Aquilegia  e Scilla natalensis
Vista do jardim, com Ephorbia, Cynara e Verbascum alinhados

Este ano foi também o primeiro em que consegui ver o início dos efeitos que pretendo para o caminho central, o caminho que corta na diagonal grande parte do jardim. O que pretendo é um efeito de repetição de texturas, acentuando a profundidade dos canteiros mas também a sensação de uma certa continuidade na plantação.  Considero a integridade e continuidade um dos critérios mais importantes para a selecção das plantas e aquilo que basicamente define um bom design e o separa de um jardim banal. No meu jardim este efeito é conseguido através de plantas de manutenção fácil e perfeitamente adaptadas ao nosso clima, como são os casos das vivazes Stachys lanata, Nassella tenuissima e Achillea millefolium "Cerise Queen" mas, também de anuais como a Nigella dasmacena.

Três plantas estruturais marcam a vista geral do jardim, são elas Euphorbia characias, Cynara cardunculus e Verbascum bombyciferum. São as três de grande porte mas textualmente não podiam ser mais diferentes, destacando-se no meio das outras vivazes. Estas plantas marcam o olhar com a introdução de três pontos de interesse em sucessão. São mais uma vez plantas de fácil manutenção, duas delas autóctones em Portugal (E. characias, C. cardumculus) e a terceira perfeitamente à vontade no nosso clima (V. bombyciferum). 

A criação de bons jardins em Portugal terá sempre que passar pela escolha de uma plantação realista e bem adaptada ao nosso clima, mas também pela diversificação das espécies usadas e focagem nas texturas e folhagens. Nunca esquecer que na maior parte do ano o que temos é a parte vegetativa da planta, o interesse da plantação terá que começar exactamente pelas folhas e seguir depois para um design com as florações. A sucessão no tempo destas duas linhas de interesse vão ditar a diferença entre um bom jardim e um jardim medíocre. 

http://www.flora-on.pt/#/1Cynara+cardunculus

sábado, 9 de abril de 2016

Abril no Parque das Caldas

Vista do parque, zona do coreto 
Alameda de plátanos 
Alameda de plátanos 
Zona de bosque autóctone 
Silene latifolia / Cistus salviifolius
Scilla monophyllus
Wisteria sinensis
Wisteria sinensis
Pérgola de Wisteria sinensis 
Ganso do Canada, Branta canadensis
Spirea em floração
Recentemente visitei o Parque D. Carlos I nas Caldas da Rainha, sem duvida um dos mais belos parques deste país, por uma grande lista de razões mas, talvez sejam o lago central e as árvores de grande porte a encabeçar essa lista. O "Parque das Caldas", como é conhecido na região Oeste, abriu ao público em 1892 e recebeu o nome do Rei de Portugal, chefe de estado à altura da  inauguração. Apresenta um paisagismo ao estilo romântico, muito popular no final do século XIX, e que ainda hoje marca todo o desenho do parque. 
Nesta altura do ano destacam-se um exemplar bastante grande de Wisteria em floração, as Spirea, e na zona de bosque, várias autóctones lembram-nos que já estamos na Primavera, entre elas: Silene latifolia, Cistus salviifolius e Scilla monophyllus.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Incursão Botânica no Oeste

Alcobaça
Nas recentes Ferias da Pascoa visitei Alcobaça e a região Oeste com o intuito de conhecer alguns dos sítios de interesse turístico,  mas rapidamente o meu passeio tornou-se numa visita de reconhecimento botânico, tal foi a quantidade de espécies com as quais me fui deparando. Talvez porque a Pascoa este ano se comemorou mais cedo, a época de floração de algumas das minhas bolbosas preferidas coincidiu com a oportunidade de me deslocar aos sítios onde elas ocorrem. Sabia que as podia encontrar, mas nunca pensei que existissem em tão grande numero e em anos anteriores não tinha sido possível encontra-las em plena floração. Comecemos então por Alcobaça: 

Hyacinthoides hispanica
Hyacinthoides hispanica, castelo de Alcobaça
Hyacinthoides hispanica
Hyacinthoides hispanica em Alcobaça
                                                                
Em Alcobaça, descobri por acaso a Hyacinthoides hispanica numa das escarpas do castelo. Foi na verdade uma grande surpresa, sabia que a espécie existia na região mas nunca pensei encontra-la em pleno centro histórico e em tão grande numero. A colónia parece estar bem estabelecida e aprecia a excelente drenagem do sítio bem como toda a humidade disponível. Hyacinthoides hispanica é uma planta da família dos espargos conhecida como Jacinto-dos-campos. É muito ornamental e é usada em jardins noutras latitudes, nomeadamente, no Reino Unido, onde se começou a cruzar com a Hyacinthoides non-scripta, a famosa bluebells. Neste momento a planta de origem ibérica constitui uma ameaça os bluebells locais, existindo já muitas populações de características intermédias. Existem 4 espécies de Hyacinthoides em Portugal (incluindo H. non-scripta confinado ao extremo Norte do país) todas elas com grande interesse ornamental, podem ser comparadas aqui

Juniperus turbinata em São Martinho do Porto
Cistus salviifolius / Orphys 
Em são Martinho do Porto ao andar pelas encostas junto ao mar foi possível encontrar vários indivíduos de orquídeas do género Orphys, bem como Cistus, os quais estavam a iniciar floração. Mas o destaque vai para os Narcissus bulbocodium e Rumulea, duas bulbosas de grande interesse ornamental.  As duas plantas partilham o mesmo epíteto "bulbocodium", que significa pequeno bolbo, e é isso mesmo que são, pequenas, mas de grande beleza. A Narcissus bulbocodium pode ser facilmente cultivada em jardins, no entanto exige boa drenagem e solo de origem calcaria. Esta espécie de narciso apresenta uma morfologia diferente da maioria dos outros narcisos, a trombeta característica do género parece-se com um cone e sobrepõe-se em tamanho às tépalas, muito menos proeminentes. A Rumulea bulbocodium é menos usada em jardinagem mas, o seu potencial é bastante grande. Para um eventual cultivo terá sempre que se proporcionar uma boa drenagem e um solo alcalino. Rumulea lembra um pequeno crocus, trata-se na verdade de um caso de evolução convergente com esse género botânico. Narcissus bulbocodium e Rumulea podem fazer uma boa combinação, podendo-se replicar em jardim aquilo que se encontra na Natureza. 

Rumulea bulbocodium
Rumulea bulbocodium
Rumulea em escarpa voltada a Norte
Narcissus bulbocodium / Rumulea bulbocodium
N. bulbocodium em escarpa voltada a Norte
N. bulbocodium / Rumulea 
N. bulbocodium em falésia marítima, São Martinho do Porto 
Euphorbia portlandica / N. bulbocodium
Sedum sediforme
Por ultimo, mais duas espécies encontradas nas falésias de São Martinho do Porto: Sedum sediforme Euphorbia portlandica. 
Sedum sediforme, uma crassulacea de grande interesse ornamental, pode ser encontrada com facilidade em quase todo o litoral português. Presta-se sobretudo a ser usado em jardins rochosos ou litorais, com solo alcalino e bem drenado, com exposição soalheira. A floração acontece mais tarde no ano, mas as suas inflorescências são bastante vistosas com hastes até 50 cm de altura, de um amarelo pálido bastante interessante.   
Euphorbia portlandica, mais uma Euphorbia autóctone com potencial interesse para jardins. É uma planta de pequeno porte mas, com cores bastante vivas e que pode também ser usada em jardins rochosos. Encontra-se em arribas litorais de Norte a Sul do país e não é exclusiva de cá, encontrando-se em quase todo a costa atlântica da Europa, desde Portugal até às Ilhas Britânicas.  


Narcissus em São Martinho do Porto