quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Sissinghurst: Roseiral e o Jardim de Ervas

 Parede coberta de Clematis "Perle d'azur" no roseiral
Stipa gigantea, Allium spaerocephalon
Allium, Eryngium bourgatii / Clematis herbácea "Ozawas Blue" / Rosa "Ispahan"
Hemerocallis "Croky"
Allium christophii, Nicotiana langsdorffii, Digitalis,  Rosa "Auguste Seebauer"
Papaver somniferum, Lilium regale
Alchemilla mollis / Rosa "Veilchenblau" / Rosa "William Shakespeare"
 Salvia "Caradonna" em primeiro plano
Veronica, Salvia e Silene
Salvia "Caradonna" e Silene coronaria
Echinacea purpurea  nos jardim de ervas e Rosa não identificada 
Vista do jardim de ervas
 Hellianthus, Artemisia, Verbascum

Chegamos à ultima parte da minha visita a Sissinghurst e deixei para o fim uma "sala" muito importante, o roseiral, que sempre foi considerado um dos maiores legados de Vita Sackville-West.

De todas as flores presentes em Sissinghurst, foi a rosa que mais capturou a imaginação de Vita. Ela estava particularmente fascinada por associações históricas ou literárias e achava incrivelmente romântico que as rosas gallica, chegadas a França vindas da Pérsia, tinham muito provavelmente sido trazidas  pelos cruzados que regressavam do médio oriente.
Ela amava particularmente as rosas antigas, e em 1954 escreveu: "Não há nada de austero ou mesquinho nestas rosas. Elas têm uma generosidade que é tão desejável em plantas como em pessoas".

As rosas foram plantadas tendo por companhia herbáceas, que permitem uma longa temporada de floração. É aqui no roseiral que o carácter do plantio de Vita se torna mais evidente, a escolha de cores e a abundância delicada são traços de Vita presentes ainda hoje no roseiral. No entanto, apenas uma parte das rosas que existiam no tempo de Vita permanecem em Sissinghurst.

Por ultimo, na sala reservada ao jardim de ervas, temos uma vasta selecção de plantas com utilidade desde tempos imemoriais. Muitos visitantes não entendem o jardim de ervas pois estão à espera de encontrar plantas comestíveis ou aromáticas, mas no entanto, apenas algumas das 146 plantas disponíveis podem ser consumidas. A colecção de "ervas" em Sissinghurst, na verdade aproxima-se do conceito ancestral de "erva" e inclui qualquer planta que tem um uso, ou medicinal, ou culinário ou qualquer outro tipo de uso prático.

Para mim, Sissinghurst foi uma surpresa pelas suas dimensões, a pesar de ser um palácio, conserva o charme de uma casa de campo, sendo um jardim não ostentativo. Possui uma elegância discreta. Sissinghurst foi também uma lição de cor e de diferentes combinações de plantas: os esquemas de vivazes são do melhor que já vi, apresentam um dinamismo único, com ritmos texturais subtis e uma paleta de cores refinada. Tudo o que se deseja num dos melhores jardins do mundo!

http://www.countrylife.co.uk/gardens/gardens-gardening/the-history-of-sissinghursts-roses-58258

sábado, 3 de setembro de 2016

Sissinghurst: O "Cottage Garden"

O "cottage garden"
 Hemerocallis "Corky", Verbasum bombyciferum
Dahlia "Moonfire", Verbascum olympicum
Dahlia "Moonfire / V. bombyciferum,  / Dahlia "David Howard" 
Papaver rhoeaes
Alstreomeria, Hemerocallis, Potentilla fruticosa
 Digitalis ferruginea, Crocosmia "Lucifer", Solidago canadensis 
Hemerocallis "Croky", Dahlia "Brandaris", Solidago canadensis
Helianthus, Verbascum olympicum
Vista do jardim
O "cottage garden" em Sissinhurst é famoso pelas suas cores quentes e segue uma tendência iniciada já no tempo de Vita, no entanto ele é hoje um jardim muito mais arrumado e refinado do que nesses tempos iniciais. Canna, Dahlia, Helianthus, Geum, Verbascum e mesmo Rosas, formam um conjunto meticuloso e variado dentro da paleta das cores quentes.  No centro existem quatro teixos, Taxus bocata 'Fastigiata' de grande dimensão, podados em coluna e que formam como que quatro gigantes a guardar o jardim. Na parede da "cabana" cresce a famosa roseira "Mme Alfred Carriere". 

Para quem, como eu, goste de corres mais garridas, este jardim é uma verdadeira inspiração e permite uma fácil reprodução em solo luso, pois quase todas as plantas aqui representadas são fáceis de cultivar em climas mais meridionais. 

                                                                                                                                     (Continua...)

Taxus bocata 'Fastigiata'

http://www.spectator.co.uk/2014/03/vita-sackville-wests-sissinghurst-by-vita-sackville-west-and-sarah-raven-review/
https://sissinghurstcastle.wordpress.com/2013/09/23/plants-of-the-week-23-09-13-dahlias/
https://sissinghurstcastle.wordpress.com/2014/10/30/all-change-in-the-cottage-garden/

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Jardim no final de Agosto

Echinops, Achillea filipendulina, Perovskia,  Miscanthus "Zebrinus"
Stipa tenuissima, perovskia, Sedum, Dahlia "Arabian night" 
Vista do jardim com cápsulas de Nigella dasmacena
Vista do Jardim / Scabiosa atropurpurea / Echinops ritro
Thalictrum delavayi
Echinacea purpurea "White Swan"
Stipa tenuissima e Sedum "Matrona"
Phlomis tuberosa /Sedum spectabile
Pervskia, Achillea filipendulina, Echinops ritro
Mais um Verão muito quente no jardim. Com a minha ausência as coisas complicaram-se e tivemos algumas baixas, no entanto existe um conjunto de plantas que parecem resistir bem aos rigores do Estio e essas formam já uma espécie de grupo de confiança, do qual posso esperar boas florações mesmo na altura mais quente. 

Mas não há que iludir, não fosse a minha mãe tomar conta do jardim e os resultados seriam bem piores. Os jardins são corpos artificias mantidos com o esforço do jardineiro, e quando ele falta é como se metade das forças que concorrem para o seu sucesso desaparecessem. É claro que são sempre as autóctones a resistirem melhor à secura do Verão, mas também as Echinops, Sedum, Achillea, Miscanthus e Stipa apresentam boas performances.

Numa segunda linha de resistência temos a Phlomis tuberosa, Echinacea e Penstemon, penso que estas plantas desapareceriam se não houvesse qualquer rega. Por ultimo, as que precisam de maior atenção são as anémonas japonesas e talvez o Thalicturm delavayi, uma introdução recente no jardim que apresentou resultados muitos bons, com crescimento rápido e flor por mais de um mês. Uma surpresa em termos de resistência, mas que também esteve debaixo de cuidados por parte da minha mãe, que o regou com bastante frequência. 

O ultimo destaque vai para a Phlomis tuberosa, planta que levou uns longos 3 anos até florir, só este ano nos presenteou com hastes florais decentes, com um tamanho verdadeiramente surpreendente, tinha a altura de um homem. Valeu a pena a espera!

https://www.rhs.org.uk/plants/details?plantid=1920
https://www.claireaustin-hardyplants.co.uk/products/phlomis-tuberosa

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Sissinghurst: O Jardim Branco

Vista do centro do jardim branco
A "sala" mais famosa dos jardins de Sissinghurst é o Jardim Branco. Foi o ultimo jardim construído no tempo de Vita e já foi reproduzido inúmeras vezes no mundo inteiro. Este jardim é talvez o que causou mais impacto de todos os que foram criados por Vita Sackville-West. 

É basicamente uma secção rectangular com corte formal de passeios em tijolo inglês e com margens de buxo baixo em toparia. O centro é ocupado por uma pérgola coberta pela roseira Rosa mulliganii. O resto da estrutura dos canteiros é preenchido por um intrincado conjunto de vivazes de floração branca, conseguido-se magnificas justaposições e texturas de grande interesse.  

Stachys lanata, Eryngium / Phlox paniculata "David", Papaver rhoeas 'Bridal White'
Onopordum acanthium
Torre / Cosmos 'Purity' e Antirrhinum /Rosa 'Princess of Nassau'
Eryngium 'Miss Wilmott's Ghost',  Achillea , Lillium regale

Muitas das plantas escolhidas são bem comuns mas, todas numa versão branca, tantas vezes esquecida pelos jardineiros. Há que realçar que o jardim não é de um branco puro: temos variações de branco desde pérola ao rosado, na verdade trata-se de um jardim a três cores: o cinza, o verde e claro, o branco. Folhagens cinza prateado ligam os canteiros dando unidade ao jardim e são pontuadas com maciços de flores brancas das mais variadas formas. 


Algumas das plantas em destaque no jardim branco de Sissinghurt: Onopordum acanthium, Eryngium 'Miss Wilmott's Ghost', Lilium regale, Daucus carota, Antirrhinum majus, Cosmos 'Purity', Lychnis coronaria 'Alba', Veronicastrum virginicum 'Alba' e Rosa 'Iceberg'.
                                            Continua...

domingo, 24 de julho de 2016

Jardim do Castelo de Sissinghurst

Recentemente tive a oportunidade de visitar um dos jardins mais icónicos do mundo, Sissinghurst. Talvez o jardim que desejava há mais tempo visitar. Sissinghurst é na realidade um dos jardins ingleses mais celebrado no mundo inteiro. Contudo, as suas origens são algo obscuras: de quinta de produção de porcos a casa renascentista, de prisão militar a asilo para desfavorecidos. Um começo muito longe do pináculo da cultura de jardins em que se tornou Sissinghurst. Na verdade, a curva em direcção ao mundo da jardinagem começou a ser traçada apenas em 1932, quando a propriedade foi comprada por Vita Sackville-West e Harold Nicolson.

Plantas em destaque no dia da minha visita
A  Torre de Sissinghurst e uma das salas usadas por  Vita para escrever.
Rosa "Gloire de Dijon"
O jardim foi edificado à volta do que restou dos edifícios de século XVI, e desde o início, que tanto Vita como Harold tentaram um compromisso entre o espaço físico existente e o novo jardim que surgia. 

Uma da principais construções originais é a bela torre do século XVI. Subir os seus 78 degraus leva-nos até ao topo, onde a vista é simplesmente de tirar o fôlego. Quem sobe, passa pelo gabinete de Vita onde a autora se dedicava à escrita. A sensação de contacto com o passado é avassaladora: o cheiro da madeira antiga, os livros e a maquina de escrever, a decoração com motivos mouriscos e os instrumentos de jardinagem usados por Vita, marcam presença um pouco por todo o espaço. São acompanhados por vezes, por belas jarras de flores que podiam ter sido acabadas de colher pela própria autora. Todo o espaço parece ainda viver o tempo Vita Sacklille-West. 

Vista da torrre para campos a Este
Vista da Torre para Norte
O Jardim em Sissinghurst e as plantas utilizadas foram fortemente inspirados pelo trabalho de Gertrude Jekyll, bem como pelo Jardim de Hidecote Manor, desenhado por Lawrence Johnston.

O plano do jardim inclui uma série de "salas", espaços confinados que se tornam independentes pela existência de uma forte estrutura de teixo em topiária ou mesmo por muros de tijolo típico inglês. Cada uma destas "salas" apresenta características específicas de cor ou tema, como é o caso do jardim de ervas aromáticas ou o jardim branco. 

Lythrum, Liatris, Platycodon, Allium sphaeracephalum, / Cynara, Lythrum, Geranium psilostenom
A estrutura formal é da autoria de Harold que tinha formação em arquitectura, tendo Vita sido preponderante, sobretudo na selecção de vivazes e nos respectivos esquemas de combinações. As salas vão-se sucedendo umas às outras, integrando os edifícios do castelo e o jardim formal de teixo dá lugar a exuberantes combinações de vivazes, muitas vezes com carácter mais naturalista, para depois novamente surgir o jardim formal, seja sob a forma de um "redondel" em topiária ou do famoso passeio de Tílias.     

Jykell disse que purpura devia ser usado com "extrema precaução" mas, Vita fez exactamente o contrario, passou a usar grandes conjuntos de purpura nas suas diferentes variações. Hoje em dia, pode ainda ser visto em Sissinghurst, a sua famosa bordadura de cor purpura. Mas, não só purpura, cores quentes também...a paleta de cores foi diversificada, novas plantas foram usadas pela primeira vez.   

Algumas das plantas em destaque aquando da minha visita: Achillea "Gold Plate", Erygium bourgatii, Geranium "Plenum caerulleum", Knautia macedonica e Allium tanguticum 'Summer beauty'.

Sala paralela ao jardim-branco com Astrantia sp
O "redondel" 
Magnifico efeito prado com Centaurea cyanus
Pomar e prados circundantes 
O jardim termina num belo pomar cheio de Malus e roseiras de liana crescendo sobre as árvores. Ao fundo um lago. É nesta área que o jardim se associa à produção agrícola e se integra na casa de campo, que na verdade, Sissinghurst sempre foi e ainda é. 

Felizmente, mais de meio século depois de sua morte, o efeito inebriante da visão de Vita sobre a jardinagem, embora alterado e modificado por aqueles que se seguiram, mantém-se e continua bem vivo, basta visitar Sissinghurst... 

Depois da morte de Vita em 1962, Harold decidiu, que o seu amado Sissinghurst devia ser dado aos cuidados da comissão de Jardins da National Trust, da qual Vita fora um dos membros fundadores. A partir de 1967 o jardim abre ao publico desta vez já sob a alçada da National trust, que desde então é responsável pela sua manutenção. 

  Continua...

Casas de secagem do Lúpulo 

http://www.telegraph.co.uk/gardening/9346537/Vita-Sackville-West-her-gardening-legacy.html
http://www.nationaltrust.org.uk/sissinghurst-castle/features/the-history-of-sissinghurst-castle
http://www.spectator.co.uk/2014/03/vita-sackville-wests-sissinghurst-by-vita-sackville-west-and-sarah-raven-review/