segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Plant of the Year Award 2016

Echinops ritro, Achillea filipebdulina, Miscanthus e Phlomis tuberosa
Echinops ritro com outras vivazes no Verão
Echinops ritro com Scabiosa atropurpurea
Decidi dar o prémio para a planta do ano no meu jardim durante 2016. Esta não foi uma escolha difícil, a escolha recaiu sobre uma das minhas melhores aquisições dos últimos anos a Echinops ritro. É uma planta na qual uma boa parte dos meus esquemas assentam e na qual confio para manter o interesse, mesmo para alem dos meses tradicionais de floração. Ela continua em flor bem depois do Verão, prolongando-se mesmo até às primeiras geadas. Ainda há 2 semanas atrás tinha Echinops em flor no jardim. 

As Echinops ritro no meu jardim não são plantas exigentes. Não requerem muitas regas e não exigem solo especialmente rico. Pelo contrario, elas estão quase todas nas zonas mais expostas do meu jardim e no Verão não se parecem importar nada com a secura. Na verdade, parece florir melhor em solos relativamente pobres e com rega apenas ocasional. Gostam de ter uma boa drenagem, não suportam solos demasiado densos.  

É fácil começar as Echinops no jardim, aconselho a fazê-lo  por divisão da raiz da planta mãe. É a maneira mais fácil de ter uma planta a dar flor em menos de um ano. 

Para quem gosta dos azuis metálicos, e para quem gosta de dar um ar naturalista ao jardim num clima como o de Portugal, a Echinops ritro e os seus cultivares são sempre plantas a considerar, dada a facilidade com que se adaptam e beleza das suas flores.   

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O jardim dorme...

Canteiros centrais
Echinops com geada / Iris unguicularis / Helleborus nige
Helleborus x hybridus / Stachys com formação de gelo  / Viola odorata / Helleborus 
Janeiro no meu jardim é quase sempre o mês mais frio. As temperaturas durante a noite descem até graus negativos e o solo prolonga o frio durante o dia, mantendo as raízes a baixas temperaturas, apesar dos valores amenos verificados à luz do dia. Mas está tudo certo assim, as plantas devem fazer a sua pausa invernal, antes de um novo ciclo vegetativo se iniciar. É assim que deve ser, por isso a geada é bem-vinda para a maioria das plantas que tenho.

Neste princípio de ano, são os Helleborus os primeiros a florir e começam agora a despertar. Um deles em particular levou 3 anos até aparecer a primeira haste floral. Foi uma pequena plantula que eu trouxe do jardim botânico da Ajuda e que, aparentemente, reteve alguma da coloração interessante da planta mãe. Quando se reproduz um Helleborus por semente há sempre uma elevada probabilidade de obtermos plantas com flores mais simples e algo desinteressantes. 

Quem aproveita esta altura do ano para florir é a Iris unguicularis, mas só enquanto não há chuva. Não se importa de todo com o frio, mas se começa a chover as frágeis flores são facilmente danificadas. Esta Iris é uma daquelas plantas que aconselho a todos experimentarem, não só pela sua flor e elegância suave, mas sobretudo por ser uma das poucas Iris a florir nos meses mais frios. 

Entretanto, a maioria das outras vivazes dorme ainda...aguardemos pelo início da Primavera. 

sábado, 31 de dezembro de 2016

Final de Ano no Jardim









Pennisetum, Euphorbia e Echinops. Ao final da manhã o gelo derrete...
Têm sido dias de muita geada. Manhãs que proporcionam imagens sempre bonitas, que nos lembram que o Inverno acabou por chegar a Portugal e que o final do ano está aqui. Manhãs geladas, em que as temperaturas chegaram aos -3 graus, mas que durante o dia atingem os 10ºC -12ºC de máximas. O Jardim entra assim no seu ciclo de dormência normal de Inverno, o solo na verdade encontra-se muito frio e isso concretiza a dormência invernal.  

Desejo a todos um feliz Ano Novo de 2017!
Happy New Year to all!

sábado, 8 de outubro de 2016

Anemone x hybrida "Honorine Jobert"

Anemona x hybrida "Honorine Jober"
Anemone x hybrida "Honorine Jobert"

Esta planta é já um clássico dos jardins britânicos nesta altura do ano, a das fotos encontrei em flor no Boston Manor Park. A Anemone x hybrida "Honorine Jobert", tal como outras anémonas do tipo japonês, é uma das minhas vivazes preferidas e tem um cultivo relativamente fácil em Portugal, preferindo um solo rico, profundo, com alguma sombra e que não seque em demasia. 

É uma planta fabulosa para iluminar o jardim no final do Verão e inicio de Outono. Já vi este tipo de anémona em Floração no Jardim Gulbenkian até perto do Natal. As flores são brancas e elegantes, em forma de taça e as folhas semelhantes à da videira  Embora sobrevivam em sobra profunda, podem deixar de florir nestas condições. Dão-se melhor na sombra parcial, e são perfeitas para iluminar um canto escuro do jardim. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Um Jardim no Cadaval

Vista do jardim com pérgola e área de estar ao fundo
Zona das rosas amarelas
Streptocarpus / Rosa "Lady of shalott" / Anemone "Honorine Jobert"    
Cupressus sempervirens e Artemisia ao fundo
Desenho do jardim visível de cima
Rosa "Compassion"
Hydrangea paniculata / Rosa "Malvern Hills" / Rosa "Alberic Barbier"   
Área de estar, debaixo da pérgola
Centranthus e Pennisetum "Rubrum" / Rosa "Golden Celebration" / Rosa "Summer Song"   
Debaixo de uma das pérgolas
Vista do jardim / Rosa "Boscobel" / Penstemon "Purple Passion"
Sala das rosas amarelas
Vista do jardim e Pennisetum "Rubrum" ao fundo

O Outono chegou mas ainda é do Verão que vos falo, em particular sobre um jardim que visitei em pleno mês de Agosto em Portugal. É um jardim que fica no Cadaval, no sopé da Serra de Montejunto, e pertence a um amigo, ao Carlos. Durante alguns anos, conheci o jardim no Cadaval através de fotos e de desenhos em esboços, fui sabendo sobre as plantas que eram introduzidas, assisti aos projectos, fui conhecendo pelas intenções do jardineiro. A visita estava prometida há muito mas, só este Verão consegui finalmente passar pelo jardim do Carlos. 

Todo o jardim que vêem nas fotos pura e simplesmente não existia há três Verões atrás, o que existia era uma pequena horta mal amanhada e terraços "acimentados" deixados pelos anteriores proprietários. O que temos hoje, foi resultado dos esforços e cuidados do Carlos em colaboração com o seu pai, engenheiro, que deu uma ajuda prática na construção de arcos, entre outros. O desenho, claro, é do próprio Carlos que tem formação em artes e arquitectura. Pode-se ver os olhos do arquitecto na definição de áreas e no design do jardim em geral. Há uma particular atenção aos espaços de estar, de fruição do jardim. A magnifica envolvência da serra de Montejunto impõem-se e não podia ser deixada de lado: o jardim está feito de forma a que ela nunca se perca de vista, antes pelo contrário, que se desfrute da bela paisagem em toda a sua dimensão. 

O jardim começa onde acaba a casa, e é de certa forma uma continuação desta. Algumas das plantas menos rústicas encontram-se exactamente à saída da casa, no pátio que antecede o jardim propriamente dito, beneficiando ainda do abrigo do edifício, e foi aqui que encontrei um lindíssimo Streptocarpus de cor azulada. O espaço ajardinado abre-se depois sobre um balcão mais amplo e começa logo com uma área de estar debaixo de uma bela pérgola, onde existe uma mesa de refeição que foi prontamente montada e na qual tive o prazer de ser recebido com boas iguarias!

Adjacente, existe a área principal de plantação de vivazes, de resto bastante intrincada e diversa, que no inicio do verão é enriquecida por numerosos cultivares de roseira, constituindo por si só um marco importante do jardim. As variedades de rosa são criteriosamente escolhidas pelo Carlos que é especial conhecedor e amante de rosas. Na altura que visitei o jardim, pesava já sobre a maioria delas o merecido descanso do Estio mas, ainda assim tive o prazer de conhecer algumas em flor, como é o caso da roseira "Lady of Shalott", que parecia querer manter acesa a ideia de que aquele é um jardim de rosas.

Mas não só de rosas. O desfilar de vivazes é longo e temos muitas variedades que penso serem únicas em cultivo em Portugal, colecção que podia mesmo fazer corar alguns ditos "Jardins Botânicos". Conseguia destacar varias mas, tinha que ser uma das minhas predilectas nesta altura do ano, exactamente a anémona híbrida "Honorine Jobert". Igualmente merecedor de destaque um belo exemplar de Pennisetum "Rubrum" de porte abundante. A colecção de mentas é também vasta, tal como a de Helleborus ou de Syringa, mas essas só noutra altura vão estar em floração.

É neste terraço principal, antes do jardim descer para o pomar,  que decorrem as diferentes "salas" com temas alusivos às cores das roseiras, embora seja uma área ainda em progresso, é já bastante definida a "sala das rosas amarelas" onde brilham roseiras como as R. banksiae "Lutea" ou a "Pilgrim", "Casteu Gombert" do Massad ou a "Golden Celebration",  famosa roseira criada por David Austin. Um dos elementos mais surpreendentes desta sala é a parede de fundo azul, realçando as cores verdes e os amarelos das rosas. O pavimento nesta sala forma bolas de diferentes dimensões, preenchidas a gravilha e que seguem caminho para outras áreas do jardim, como que nos levando à descoberta. A escolha de plantas recaiu, entre outras, pela Stipa tenuissima que delimita e ajuda a guiar o olhar. 

Sendo o Verão, e em especial Agosto, uma época difícil para os jardins, não foi decerto a melhor altura para a minha visita, ainda assim ficou evidente o potencial deste jardim e a surpresa pelo elevado numero de florações estivais. Demorará outros Verões até que as sebes cresçam suficiente e para que finalmente os espaços das salas sejam definidos por completo mas, o jardim no Cadaval é já uma promessa sólida.   

http://www.crocus.co.uk/plants/_/anemone--hybrida-honorine-jobert/classid.2474/
* Os créditos fotográficos de parte das fotos são para o Carlos.