sábado, 30 de março de 2013

Um pequeno viveiro de plantas...


É neste estado que se encontra a minha varanda neste momento lol, cheia de vasos de plantulas que germinaram há pouco tempo e outras que me arranjaram recentemente. Um verdadeiro viveiro! 

Estas plantas mais tarde vão ser transplantadas para o meu jardim, mas neste momento crescem bem na minha varanda. Nem mesmo a chuva, que nas ultimas semanas não para de cair, parece estar a afectar negativamente o crescimento, possivelmente até ajuda! 

Entre as plantas que aqui tenho podemos encontrar:
  • Hemerocalis (amarelo)
  • Salvia "victoria"
  • Penstemon sp.
  • Pulsatilla vulgaris
  • Campanula alliariifolia
  • Cynara (Alcachofra comestível)
  • Thalictrum speciosissimum
  • Rudbeckia sp.
  • Sedum telephium
  • Echinops ritro
  • Lychnis coronaria
  • Centaurea montana
  • Dianthus (silvestre)
  • Dipsacus fullonum
  • Geranium Sanguineum
  • Tulipa tarda
  • Tulipa turkestanica
As tulipas foram plantadas já fora de época mas estão a crescer bem, são duas espécies que há muito queria ter, talvez não haja flor este ano, mas comprei por metade do preço, vale a pena tentar!  

Queria agradecer ao meu amigo Manuel Moldoni as estacas de raiz de Pulsatilla vulgaris, espero que vá resultar, aparentemente é assim que se deve propagar esta planta quando não é por semente.

Queria também agradecer à Natália, cujo jardim já falei aqui anteriormente e que me enviou muitas destas sementes e até estacas por correio!  Finalmente agradecer ao Pedro, do blogue planting design lab pelas plantulas de Dipsacus fullonum. Obrigado!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Jardim Botânico da Ajuda em Março.

Ferula communis.

Mais de 200 anos depois, o Jardim Botânico da Ajuda será ainda hoje o melhor jardim botanico de Lisboa, a colecção é compreensível e a disposição em canteiros torna mais fácil encontrar um espécie ou um grupo de plantas em particular, a diversidade de espécies também é maior que em qualquer outro jardim de Lisboa. 

A disposição é feita em pequenos canteiros numa sequência biogeografica e por famílias, mas algumas plantas destacam-se e chamam à atenção: É o caso da vistosa Ferula communis, o funcho-gigante, embora esta planta não seja um funcho, que é na verdade um género diferente. Alias, convém não confundir as duas espécies  pois a Ferula communis, ao contrario do vulgar funcho, é uma planta tóxica para o homem (mais frequentemente até para o gado). 

O funcho-gigante é uma planta que considero muito ornamental, mas uma boa alternativa é mesmo o funcho vulgar, a Foeniculum vulgare, ambos pertencem à família Apiaceae. O funcho vulgar é desde tempos imemoriais usado como planta aromática e medicinal, a sua utilização como planta ornamental é no entanto muito recente, pelo menos no nosso país. Nas ilhas britânicas é muito popular como planta ornamental e combina muito bem com a Verbena bonariensis , com Achillea ou Crocosmia; sendo a variedade bronze especialmente interessante. 

A propagação do funcho deve ser feita sempre por semente, pois não transplanta bem.

http://www.uicnmed.org/nabp/database/HTM/PDF/p132.pdf

Polygonatum sp.

 Scilla peruviana
Acima, duas plantas que pertencem à mesma família, a interessante família Asparagaceae. São todas plantas monocotiledónias, podendo em todas destingir-se as nervuras características paralelas, orientadas de alto a baixo. 

Polygonatum é uma excelente planta de jardim, que prefere um solo rico em matéria orgânica, as suas flores características exalam um perfume bastante suave. É conhecido com selo-de-salomão, e dá-se bem na sombra!  

A Scilla peruviana, recebeu este nome devido a um erro, que leva a pensar de que se trata de uma planta originaria do Peru, mas é no entanto uma planta bem portuguesa, da qual já tive oportunidade de falar aqui anteriormente. Uma forma de ter estas plantas sempre vigorosas e a dar flor, é dividir os bolbos de dois em dois anos.

Fica um pequeno vídeo sobre este grupo de plantas:



Viola
Já no terraço de baixo, encontrei alguns canteiros com uma miríade de amores-perfeitos de todas as cores possíveis para estas plantas, a maior parte delas eu nem sabia que existiam. Quero ver se consigo a semente de alguns deles!

Início da Primavera no terraço de baixo.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Tarde de Primavera na Gulbenkian.

Allium triquetrum
O jardim da fundação Gulbenkian é o meu jardim favorito em Lisboa, não tanto pela diversidade vegetal que, a pesar de tudo podia ser muito maior, mas antes pela forma como está desenhado, pela introdução do elemento água e pela vida animal que por la se encontra. Nesta altura do ano há muito que ver, por exemplo o Allium triquetrum que ilumina zonas de sombra húmida, ou Prunus  cerasifera, a ameixeira-de-jardim (ao fundo na foto acima). Este Allium é algo infestante, espalha-se facilmente em zonas de sombra com alguma humidade, embora tenha naturalizado no nosso país, aparentemente não é autóctone. 

Stipa gigantea e Iris sp.
 Iris sp
Também estes Iris estavam em destaque nas ultimas semanas, começando agora a murchar. A sua combinação com a Stipa gigantea embora efémera, não deixa de ser marcante, acho que se torna muito interessante  este dois tipos de planta juntos.
Ainda na zona de sombra, as azáleas (familia Ericaceae) começam a dar sinal da sua existência. É uma planta lindíssima embora nem sempre fácil de cultivar. Necessita de um solo ácido que não é fácil de obter, sobretudo para mim que tenho o meu jardim numa zona de solo extremamente calcário. Mas há sempre a hipótese de a cultivar em vaso, com um composto para ericáceas, acido e com muita matéria orgânica, mas sempre com boa drenagem!

Azalea.

domingo, 17 de março de 2013

Helleborus no Jardim Botânico da Ajuda.

 Helleborus x hybridus

Helleborus x hybridus 

 Helleborus x hybridus
Para mim o Helleborus é uma das plantas mais fascinantes que se pode ter num jardim, especialmente em  Portugal, onde ainda está tão pouco divulgado.

O ano passado assisti ao transplante deste exemplares no jardim botânico da ajuda, mas fiquei algo apreensivo porque estava escrito Helleborus niger na etiqueta que os marcava, e eu sabia que sendo o H. niger seria muito difícil que viessem a florir profusamente dado o clima muito ameno de Lisboa e a proximidade ao mar. Os Heleborus preferem o clima continental com estações bem definidas e frio no Inverno e, ao contrario das tulipas, são as espécies, mais que os cultivares, os mais exigentes nas condições em que crescem. O H. niger apresenta-se como um dos mais difíceis de cultivar, e a Gardener´s world classifica-o como exigindo "experiência" para quem o pretende cultivar.

Mas felizmente, existem centenas de híbridos que são muito mais fáceis e já deram provas de se dar bem até no clima de Lisboa, sendo o exemplo mais recente, os que tenho nas fotos acima: estes dois magníficos híbridos de Heleborus que se encontram neste momento em floração na Ajuda. Vale a pena passar por lá só para os ver...

http://www.gardenersworld.com/plants/helleborus-niger/3403.html
http://www.crocus.co.uk/plants/_/helleborus--hybridus-harvington-red/classid.78248/?affiliate=bbcgwwebmay/
http://www.cotonmanor.co.uk/news_events.php
http://www.rhs.org.uk/Plants/RHS-Publications/Journals/The-Plantsman/2009-Issues/December/Hellebore

quinta-feira, 14 de março de 2013

Primeiras Tulipas deste ano...


É cor-de-laranja a primeira tulipa deste ano, talvez em homenagem à Holanda  onde muitos destes espécimes foram hibridizados pela primeira vez. Não sei o nome deste cultivar, mas é já o segundo ano seguido de floração. No primeiro ano convém dividir o bolbo, pois muitas destas plantas foram seleccionadas para produzir imensos bolbinhos filhos a partir do bolbo original. É uma forma de se tornarem rentáveis economicamente para os produtores. Estes bolbos pequenos não produzem flor e podem pressionar o bolbo principal causando uma certa exaustão, e dai que não haja flores no segundo ano. Esta tulipa laranja foi a primeira a florir porque ficou com o bolbo muito à superfície, pois já os deitei à terra um pouco tarde e estes acabaram por merecer pouca atenção. Os que estão a uma profundidade normal para as tulipas, cerca de 15-20 cm,  começaram apenas agora a despontar, e irão florir só em Abril.

 Crocus e tulipas.
Os meus crocus têm sido um sucesso, nestes dois anos em que os tenho, se não tivessem sido as toupeiras o ano passado que desenterraram e comeram uma boa parte deles, este ano ainda seria melhor. Mas mesmo assim multiplicaram-se e as flores estão bem maiores! Os da fotos foram alguns dos que retirei numa zona mais exposta debaixo da romãzeira, onde as toupeiras fizeram os maiores estragos. Agora crescem em canteiros que reservei para multiplicar alguns dos bolbos que mais gosto, nestes canteiros pequenos é fácil levantar os bolbos e cormos e planta-los noutros sítios quando forem maiores. Outro sucesso de que não me canso, são as minhas prímulas. Excelente planta, e no entanto tão esquecida entre nós.

Primula vulgaris

terça-feira, 12 de março de 2013

Manhã de Primavera.

                                                                                                                                                                               Narciso "Ice Follies"
A Primavera parece ter chegado, já que quase todas as flores típicas desta época do ano surgiram em força no meu jardim. A ultima vez que vi o jardim, foi há já varias semanas e pouca coisa de interesse achei nessa altura, mas desta vez, por todo o lado havia algo a chamar a atenção: uns narcisos aqui, as prímulas ali, ou mesmo o heleborus, todos eles em plena floração.

 Crocus e Primula vulgaris.
Todas as prímulas que plantei o ano passado deram flor este ano. As prímulas nem sempre florescem no mesmo ano em que são transplantadas ou divididas, de algum modo a perturbação parece afectar a sua floração. Mas nos anos seguintes o espectáculo é garantido, pelo menos até a planta ficar exausta e ser necessário nova divisão. Os Crocus este ano foram também generosos, alguns ate produziram múltiplas fores a partir do mesmo "bolbo". Algo que notei foi que as próprias flores também estão maiores, e houve uma clara multiplicação do numero de plantas.

        Stachys lanata.

                                                                                                                                                Stachys lanata e Narciso "tete-a-tete".
Infelizmente os pequenos narcisos "tete-a-tete" já não estavam no seu melhor, encontrei-os no final da floração e a chuva e granizo dos últimos dias fizeram o resto dos estragos. Foi interessante ver como as suas folhas, contrastavam com o porte mais rasteiro da Stachys lanata, sendo que o conjunto produz uma textura óbvia que chama a atenção. Mais tarde no ano, os narcisos são substituídos por Centaurea cyanus. Mas a Primavera não seria a mesma sem a floração das árvores de fruto da família Rosaceae, da qual tenho alguns exemplares no meu jardim. Cada flor é uma promessa de fruto, quantos ao certos irão vingar, só lá para o Verão saberemos...

Flor de pessegueiro. 

terça-feira, 5 de março de 2013

Um Novo Livro...

Estou completamente apaixonado por este livro, são fotografias lindíssimas de jardins que inspiram a criar! Este é um livro que introduz uma nota de modernidade à plantação de perenes, e sobretudo apela à criação de jardins sustentáveis e que copiam o ambiente natural. Embora estes jardins sejam tudo menos naturais, porque por detrás destes esquemas de plantação, estão elaborados projectos de design que integram uma atenção especial à textura vegetal, bem como  à sucessão florística ao longo das estações. Muitos destes jardins estão pensados para ter interesse em qualquer altura do ano, e não apenas no Verão.  O Autor deste livro quer reintroduzir a natureza no jardim, e este é um anseio de um número crescente de jardineiros e arquitectos paisagistas a nível mundial. Uma das coisas que achei importante no livro, é o facto de apresentar soluções de esquemas para variados tipos de clima e exposição solar, bem como diversos  tipos de solo:  quer seja solo seco, húmido, prado, jardim rochoso, areia, existe uma solução para qualquer um deles. Outra vantagem é também aprender e conhecer mais espécies e cultivares de plantas, algumas pouco divulgadas entre nós. O meu exemplar foi comprado na FNAC, mas era o único que havia na estante, penso que ainda será possível encomendar ou então adquirir on-line.

http://www.priceminister.com/offer/buy/71893690/Entre-Nature-Et-Jardin---Les-Atouts-D-un-Jardin-De-Vivaces-Livre.html#prd_information