sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Um Jardim no Cadaval

Vista do jardim com pérgola e área de estar ao fundo
Zona das rosas amarelas
Streptocarpus / Rosa "Lady of shalott" / Anemone "Honorine Jobert"    
Cupressus sempervirens e Artemisia ao fundo
Desenho do jardim visível de cima
Rosa "Compassion"
Hydrangea paniculata / Rosa "Malvern Hills" / Rosa "Alberic Barbier"   
Área de estar, debaixo da pérgola
Centranthus e Pennisetum "Rubrum" / Rosa "Golden Celebration" / Rosa "Summer Song"   
Debaixo de uma das pérgolas
Vista do jardim / Rosa "Boscobel" / Penstemon "Purple Passion"
Sala das rosas amarelas
Vista do jardim e Pennisetum "Rubrum" ao fundo

O Outono chegou mas ainda é do Verão que vos falo, em particular sobre um jardim que visitei em pleno mês de Agosto em Portugal. É um jardim que fica no Cadaval, no sopé da Serra de Montejunto, e pertence a um amigo, ao Carlos. Durante alguns anos, conheci o jardim no Cadaval através de fotos e de desenhos em esboços, fui sabendo sobre as plantas que eram introduzidas, assisti aos projectos, fui conhecendo pelas intenções do jardineiro. A visita estava prometida há muito mas, só este Verão consegui finalmente passar pelo jardim do Carlos. 

Todo o jardim que vêem nas fotos pura e simplesmente não existia há três Verões atrás, o que existia era uma pequena horta mal amanhada e terraços "acimentados" deixados pelos anteriores proprietários. O que temos hoje, foi resultado dos esforços e cuidados do Carlos em colaboração com o seu pai, engenheiro, que deu uma ajuda prática na construção de arcos, entre outros. O desenho, claro, é do próprio Carlos que tem formação em artes e arquitectura. Pode-se ver os olhos do arquitecto na definição de áreas e no design do jardim em geral. Há uma particular atenção aos espaços de estar, de fruição do jardim. A magnifica envolvência da serra de Montejunto impõem-se e não podia ser deixada de lado: o jardim está feito de forma a que ela nunca se perca de vista, antes pelo contrário, que se desfrute da bela paisagem em toda a sua dimensão. 

O jardim começa onde acaba a casa, e é de certa forma uma continuação desta. Algumas das plantas menos rústicas encontram-se exactamente à saída da casa, no pátio que antecede o jardim propriamente dito, beneficiando ainda do abrigo do edifício, e foi aqui que encontrei um lindíssimo Streptocarpus de cor azulada. O espaço ajardinado abre-se depois sobre um balcão mais amplo e começa logo com uma área de estar debaixo de uma bela pérgola, onde existe uma mesa de refeição que foi prontamente montada e na qual tive o prazer de ser recebido com boas iguarias!

Adjacente, existe a área principal de plantação de vivazes, de resto bastante intrincada e diversa, que no inicio do verão é enriquecida por numerosos cultivares de roseira, constituindo por si só um marco importante do jardim. As variedades de rosa são criteriosamente escolhidas pelo Carlos que é especial conhecedor e amante de rosas. Na altura que visitei o jardim, pesava já sobre a maioria delas o merecido descanso do Estio mas, ainda assim tive o prazer de conhecer algumas em flor, como é o caso da roseira "Lady of Shalott", que parecia querer manter acesa a ideia de que aquele é um jardim de rosas.

Mas não só de rosas. O desfilar de vivazes é longo e temos muitas variedades que penso serem únicas em cultivo em Portugal, colecção que podia mesmo fazer corar alguns ditos "Jardins Botânicos". Conseguia destacar varias mas, tinha que ser uma das minhas predilectas nesta altura do ano, exactamente a anémona híbrida "Honorine Jobert". Igualmente merecedor de destaque um belo exemplar de Pennisetum "Rubrum" de porte abundante. A colecção de mentas é também vasta, tal como a de Helleborus ou de Syringa, mas essas só noutra altura vão estar em floração.

É neste terraço principal, antes do jardim descer para o pomar,  que decorrem as diferentes "salas" com temas alusivos às cores das roseiras, embora seja uma área ainda em progresso, é já bastante definida a "sala das rosas amarelas" onde brilham roseiras como as R. banksiae "Lutea" ou a "Pilgrim", "Casteu Gombert" do Massad ou a "Golden Celebration",  famosa roseira criada por David Austin. Um dos elementos mais surpreendentes desta sala é a parede de fundo azul, realçando as cores verdes e os amarelos das rosas. O pavimento nesta sala forma bolas de diferentes dimensões, preenchidas a gravilha e que seguem caminho para outras áreas do jardim, como que nos levando à descoberta. A escolha de plantas recaiu, entre outras, pela Stipa tenuissima que delimita e ajuda a guiar o olhar. 

Sendo o Verão, e em especial Agosto, uma época difícil para os jardins, não foi decerto a melhor altura para a minha visita, ainda assim ficou evidente o potencial deste jardim e a surpresa pelo elevado numero de florações estivais. Demorará outros Verões até que as sebes cresçam suficiente e para que finalmente os espaços das salas sejam definidos por completo mas, o jardim no Cadaval é já uma promessa sólida.   

http://www.crocus.co.uk/plants/_/anemone--hybrida-honorine-jobert/classid.2474/
* Os créditos fotográficos de parte das fotos são para o Carlos.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Sissinghurst: Roseiral e o Jardim de Ervas

 Parede coberta de Clematis "Perle d'azur" no roseiral
Berkheya purpurea, Stipa gigantea, Allium spaerocephalon
Allium, Eryngium bourgatii / Clematis herbácea "Ozawas Blue" / Rosa "Ispahan"
Hemerocallis "Croky"
Allium christophii, Nicotiana langsdorffii, Digitalis,  Rosa "Auguste Seebauer"
Papaver somniferum, Lilium regale
Alchemilla mollis / Rosa "Veilchenblau" / Rosa "William Shakespeare"
 Salvia "Caradonna" em primeiro plano
Veronica, Salvia e Silene
Salvia "Caradonna" e Silene coronaria
Echinacea purpurea  nos jardim de ervas e Rosa não identificada 
Vista do jardim de ervas
 Hellianthus, Artemisia, Verbascum

Chegamos à ultima parte da minha visita a Sissinghurst e deixei para o fim uma "sala" muito importante, o roseiral, que sempre foi considerado um dos maiores legados de Vita Sackville-West.

De todas as flores presentes em Sissinghurst, foi a rosa que mais capturou a imaginação de Vita. Ela estava particularmente fascinada por associações históricas ou literárias e achava incrivelmente romântico que as rosas gallica, chegadas a França vindas da Pérsia, tinham muito provavelmente sido trazidas  pelos cruzados que regressavam do médio oriente.
Ela amava particularmente as rosas antigas, e em 1954 escreveu: "Não há nada de austero ou mesquinho nestas rosas. Elas têm uma generosidade que é tão desejável em plantas como em pessoas".

As rosas foram plantadas tendo por companhia herbáceas, que permitem uma longa temporada de floração. É aqui no roseiral que o carácter do plantio de Vita se torna mais evidente, a escolha de cores e a abundância delicada são traços de Vita presentes ainda hoje no roseiral. No entanto, apenas uma parte das rosas que existiam no tempo de Vita permanecem em Sissinghurst.

Por ultimo, na sala reservada ao jardim de ervas, temos uma vasta selecção de plantas com utilidade desde tempos imemoriais. Muitos visitantes não entendem o jardim de ervas pois estão à espera de encontrar plantas comestíveis ou aromáticas, mas no entanto, apenas algumas das 146 plantas disponíveis podem ser consumidas. A colecção de "ervas" em Sissinghurst, na verdade aproxima-se do conceito ancestral de "erva" e inclui qualquer planta que tem um uso, ou medicinal, ou culinário ou qualquer outro tipo de uso prático.

Para mim, Sissinghurst foi uma surpresa pelas suas dimensões, a pesar de ser um palácio, conserva o charme de uma casa de campo, sendo um jardim não ostentativo. Possui uma elegância discreta. Sissinghurst foi também uma lição de cor e de diferentes combinações de plantas: os esquemas de vivazes são do melhor que já vi, apresentam um dinamismo único, com ritmos texturais subtis e uma paleta de cores refinada. Tudo o que se deseja num dos melhores jardins do mundo!

http://www.countrylife.co.uk/gardens/gardens-gardening/the-history-of-sissinghursts-roses-58258

sábado, 3 de setembro de 2016

Sissinghurst: O "Cottage Garden"

O "cottage garden"
 Hemerocallis "Corky", Verbasum bombyciferum
Dahlia "Moonfire", Verbascum olympicum
Dahlia "Moonfire / V. bombyciferum,  / Dahlia "David Howard" 
Papaver rhoeaes
Alstreomeria, Hemerocallis, Potentilla fruticosa
 Digitalis ferruginea, Crocosmia "Lucifer", Solidago canadensis 
Hemerocallis "Croky", Dahlia "Brandaris", Solidago canadensis
Helianthus, Verbascum olympicum
Vista do jardim
O "cottage garden" em Sissinhurst é famoso pelas suas cores quentes e segue uma tendência iniciada já no tempo de Vita, no entanto ele é hoje um jardim muito mais arrumado e refinado do que nesses tempos iniciais. Canna, Dahlia, Helianthus, Geum, Verbascum e mesmo Rosas, formam um conjunto meticuloso e variado dentro da paleta das cores quentes.  No centro existem quatro teixos, Taxus bocata 'Fastigiata' de grande dimensão, podados em coluna e que formam como que quatro gigantes a guardar o jardim. Na parede da "cabana" cresce a famosa roseira "Mme Alfred Carriere". 

Para quem, como eu, goste de corres mais garridas, este jardim é uma verdadeira inspiração e permite uma fácil reprodução em solo luso, pois quase todas as plantas aqui representadas são fáceis de cultivar em climas mais meridionais. 

                                                                                                                                     (Continua...)

Taxus bocata 'Fastigiata'

http://www.spectator.co.uk/2014/03/vita-sackville-wests-sissinghurst-by-vita-sackville-west-and-sarah-raven-review/
https://sissinghurstcastle.wordpress.com/2013/09/23/plants-of-the-week-23-09-13-dahlias/
https://sissinghurstcastle.wordpress.com/2014/10/30/all-change-in-the-cottage-garden/